Diversas características definem um empresário de sucesso. Se ele é um bom gestor é capaz de aumentar o faturamento da empresa, atrair os melhores funcionários para a sua equipe e fazer com que os produtos e serviços atendam ao padrão de qualidade exigido pelo mercado ou que superem as expectativas dos seus clientes. São fatores importantes, mas não é só isso que o diferencia dos demais.
Além de atender aos preceitos básicos de um planejamento estratégico que visa, acima de tudo, o lucro, empreendedores mostram que por trás disso existe uma missão que os move, seja transformar a vida das pessoas, realizar um sonho ou até mesmo mudar a realidade de uma cidade.
Para mostrar na prática estes cases, a Uespar promoveu, no mês de agosto de 2014, o I Empresário de Sucesso em Palotina – PR. O seminário contou com a participação de importantes nomes no cenário regional: Celma de Assis Rossato, idealizadora e proprietária da Paraíso - uma das maiores indústrias nacionais no segmento de moda bebê com matriz na cidade de Terra Roxa; Leandro Scalabrin, diretor executivo e comercial da SWA – empresa de sistemas acadêmicos, localizada em Medianeira, coleciona premiações, entre elas a de melhor empresa do Paraná que dissemina boas práticas de gestão pela MPE; e Márcio Brondani, gerente da maior e mais antiga oficina mecânica de Palotina.
O evento reuniu centenas de estudantes e empresários de Palotina e região que buscavam conhecimento e fontes de inspiração para empreender.
Como foi o caso do estudante do 1º ano do curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Wesley Ribeiro da Costa, que se entusiasmou com a história dos palestrantes. “Para empreender não existe uma receita de bolo. O negócio é saber enxergar uma possibilidade e trabalhar nela”, diz.
Aluno do 2º ano de TADS, Maurício Trevisan, entendeu que o percurso de um empreendedor não é tão simples como ele pensava. “É preciso ter muita persistência para enfrentar as dificuldades. Fiquei motivado com a história dos empresários”, relata.
Gustavo Pavan, aluno do 1º ano do curso de Administração, aproveitou o seminário para aprender e esclarecer dúvidas. “A clareza na exposição dos profissionais quanto aos seus negócios fez eu me sentir no lugar deles, entender como funciona de verdade uma empresa e como superar as principais dificuldades”, destaca o jovem.
“Mais que trabalho, uma missão”
Idealizadora e proprietária de uma das maiores indústrias nacionais no segmento de moda bebê, Celma lidera hoje, com o marido Eugênio Rossato, e os quatro filhos Jean, Daiane, Ronie e Aline, a empresa que levou o pequeno município de Terra Roxa ao título de capital da moda bebê. Pioneira do ramo e com 22 anos de história, a Paraíso emprega hoje quase 1.000 pessoas e distribui a produção para três mil lojas em todo o Brasil.
Empresária reconhecida em Terra Roxa e região, Celma diz seguir uma missão: contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária. Emprega este conceito em sua vida, nos diversos projetos sociais que coordena, e dentro da empresa proporciona aos seus funcionários a valorização profissional. Com uma população de 17 mil habitantes, Terra Roxa não consegue ofertar toda mão de obra necessária para as indústrias da cidade. Este problema fez com que a empresária criasse estratégias para atrair novos interessados para suprir a mão de obra, principalmente para o setor operacional da empresa.
A mais recente estratégia é construir casas populares em Terra Roxa com o objetivo de atrair pessoas de outras cidades para trabalhar na indústria. Outra iniciativa é proporcionar um ambiente de trabalho cada vez mais agradável para os seus funcionários. “A primeira coisa que observo é aquele brilho nos olhos. Na minha empresa ninguém pode trabalhar triste”, enfatiza Celma.
“Onde existe um problema, existe uma oportunidade”
O grande desafio no mundo dos negócios é saber identificar no problema uma oportunidade. Ainda durante a graduação, na Incubadora de Inovação Tecnológica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Leandro Scalabrin teve a grande sacada, juntamente com seus colegas e hoje sócios. Dentro da universidade, eles estudaram as principais dificuldades de uma instituição de ensino superior e como um sistema poderia resolvê-las. Iniciaram então o desenvolvimento do Sistema Acadêmico JACAD. Enquanto o projeto não ficava pronto e posteriormente até que conseguissem vendê-lo, os sócios da SWA enfrentaram as primeiras dificuldades do negócio, conquistar clientes. Segundo ele, os primeiros 14 meses da empresa não foram nada fáceis. Recursos escassos e pouca visibilidade no mercado fizeram com que eles se apoiassem em diversas frentes, como desenvolvimento de sites e softwares sobre encomenda. Foram necessários alguns anos até que o negócio principal obtivesse participação de mercado relevante. A empresa, hoje, coleciona títulos e premiações, como o MPE Brasil (Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas) em boas práticas de gestão por três anos consecutivos e a certificação MPS.BR nível G (ISO 12.207 e 15.504) em 2012.
“Reconhecer a experiência dos mais velhos”
Dar continuidade aos negócios da família pode ser tão complexo quanto abrir sua própria empresa. Aliar a experiência dos mais velhos com a ansiedade dos sucessores é algo que pode gerar inúmeros conflitos, mas em contrapartida, se bem administrados, podem somar vantagens para uma empresa familiar. Márcio é o filho mais velho de Valdir, fundador da primeira oficina de veículos e maior empresa do segmento de Palotina – a V.Brondani, e é o atual gestor na empresa familiar. Com 40 anos de história, a oficina atende mais de mil veículos por mês e conta com uma equipe de 42 funcionários.
Formado e pós-graduado em Gestão Empresarial, Márcio assumiu o posto do pai com o desafio de fazer a empresa crescer cada vez mais. A ampliação de serviços e estruturas foi o que impulsionou a V.Brondani. Este processo, segundo Márcio, não foi simples. “Acertamos muito, mas também tomamos decisões que comprometeram nossas atividades”.
Apesar de possuir conhecimentos específicos em gestão, Márcio aprendeu a respeitar e se aconselhar com o pai. “Não podemos achar que sabemos de tudo, apenas porque estudamos. A experiência dos mais velhos conta, e muito, na tomada de decisões”, reflete.