Andrei Raimundi - aluno do curso de Artes Visuais da UESPAR - ficou em segundo lugar no I Concurso de Crônicas da UESPAR
Pálpebras Cansadas
Desde muito jovem tenho mania de não aceitar, e até hoje custo a praticar isto, as minhas noites costumam ser longas e a insônia que paira sobre meus olhos rotineiramente se vai rapidamente quando me vem a oportunidade de aceitar algo.
Demorei tempo para conseguir lidar com isso de uma maneira que não me causasse desconforto e hoje vejo como uma maneira de desafiar, mas também de retrair. A não aceitação faz parte de tudo que tenho presenciado em vida, individualmente isso se acentuou à medida que eu fui entendendo o real significado da palavra razão.
Minhas noites começaram a ficar cada vez mais longas e cada palavra que eu recebia, cada conceito já se prolongava na minha mente de maneira que eu poderia passar horas e horas falando e falando sobre tudo que geralmente aparece em minha frente. Entretanto a aceitação não cabe somente em minha vida por meio conceitos, modos de vida, visões diferentes, mas também em relação a certos gestos. Muitas vezes nestas longas noites intensas e silenciosas eu ouvia de mim mesmo hipóteses que talvez explicassem o porquê da minha dificuldade em aceitar sentimentos.
Proferir palavras e proferir sentimentos são coisas distintas qual minha pobre existência ainda não consegue explicar. É muito fácil falar sobre ideias e reflexões e ser laboratório de hipóteses, entretanto é complicado fazer de si mesmo experiência de sentimentos. Já provei de alguns do qual me coíbo de provar novamente devido a razão, porém também sei que muito do que provei de bom veio da falta da mesma e da insanidade momentânea que o sentir proporciona.
As noites continuam se passando e cada vez mais palavras e sentimentos perduram nas minhas olheiras que surgem ao nascer do sol, talvez o motivo para a minha falta de compreensão seja estar de apenas um lado da gangorra, pois hora senti e hora penso.
Talvez eu não deveria estar escrevendo isso agora para entender como aceitar o que as pessoas sentem e nem mesmo o que eu sinto. Quem sabe eu deveria estar sendo o insano, o amante, o vivente e presente de todos os momentos qual se pode retirar bons sentimentos, mas estou aqui acordado. Estou me sentindo um tanto quanto frio e a razão que proporciona essa impressão.
Quem sabe eu estivesse vivendo sem a mesma razão que me impede de filtrar certas situações e então não estaria escrevendo, talvez até dormindo estivesse, se seria doloroso ou não, quem sabe? Certo ou errado? Penso se o filtro sempre vai ser o medo, se o pensador é medroso ou cauteloso? Se o vivo é insano ou apenas sonhador? Mas você ainda pode controlar qual lado da gangorra está, não é verdade? Afinal somos todos livres! Não é?
EU NÃO ACEITO! Ou apenas não entendo? Se eu tiver razão ou não me procure nas horas mais claras do dia.