Recém-formados, jovens optam por serem donos do próprio negócio

Pouca experiência e muita audácia. O que poderia pesar negativamente numa disputa de emprego ganhou fôlego no mundo do empreendedorismo. O cenário econômico brasileiro é favorável e apresenta aos jovens uma nova oportunidade ao saírem das faculdades. Ao invés de almejarem um emprego com carteira assinada, estão colocando em prática ideias “fresquinhas”, abrindo seus próprios negócios.

Neste quesito o Brasil é líder. Entre os jovens, 15% dos brasileiros já estão à frente de um negócio próprio, mais do que os americanos (14%) ou indianos (12%) – ambos tradicionalmente empreendedores.

 

Contato

Ao terminar a faculdade de Ciências Contábeis, Fernando Matana decidiu dar uma guinada em sua vida profissional. Alguns meses depois de formado se mudou para outro estado em busca de novas oportunidades. Foi contratado numa fazenda como controller e a experiência lhe rendeu muitos contatos e amizades. “Quando notei estava prestando assessorias para diversas fazendas vizinhas, então percebi que era hora de abrir um empreendimento”, diz. A frase de um professor dita durante a faculdade lhe soou como um aviso “ideias não passam de ideias, se não tiver alguém para pô-las em prática”, recorda. Foi assim que Matana abriu há dois anos uma empresa de consultoria e contabilidade em Primavera do Leste – MT.  

 

Qualificação

O aumento do número de jovens empreendedores é desejável para qualquer país. Recém-formados, eles estão atualizados e possuem grande capacidade para inovar.  Num cenário em que mais de 80% dos empresários brasileiros nem sequer pisaram numa universidade, estes jovens com diploma têm infinitamente mais chances de prosperar.

Foi o que aconteceu com Vanessa Mateucci Nava. Formada em Administração, a jovem decidiu encarar um financiamento e comprar parte da sociedade de uma empresa no comércio varejista de calçados, bolsas e acessórios, na qual trabalhava como funcionária. Passou a dividir o comando com a mãe e contribuir decisivamente para o crescimento da empresa, ao torná-la um negócio cada vez mais lucrativo.

 A faculdade, para ela, ajudou a ter mais confiança em si mesma e no negócio, ajudando a analisar os pontos fortes e fracos da empresa. “Entre as vantagens de ser dona do próprio negócio destaco a liberdade de expor ideias, tomar decisões e ter um horário mais flexível. Em contrapartida, as responsabilidades do proprietário são maiores, tenho mais deveres que direitos e o salário é variável, depende de mim, qualquer decisão errada pode trazer muitas consequências”, diz.

 

Mercado promissor

Não é novidade que a área de TI (Tecnologia da Informação) tem aberto grandes oportunidades para profissionais formados na área. Prova disso é que mais da metade desses novos negócios se concentra no setor de tecnologia, um mercado em expansão e passível de ser explorado sem grandes investimentos iniciais. “Atualizo o site em qualquer lugar, a qualquer hora” relata o estudante de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (TADS), Vinicius Souza. Ele e os colegas de curso, Hallisson Robertis e Matheus Ceolin decidiram desenvolver um site e ganhar dinheiro. A ideia surgiu durante uma aula de Engenharia de Software e buscou unir a diversão dos estudantes, que era participar de festas, a algo que eles tinham domínio - desenvolvimento de sites. O portal www.deolhonabalada.com.br está ativo há dois meses e reúne fotos de eventos de Palotina e região. “Descobrimos oportunidades nos erros dos outros sites e assim estamos conseguindo crescer” contam os jovens.

 

Capitalização

Outra atitude comum dos jovens empreendedores é postergar a decisão de sair da casa dos pais. Segundo dados do IBGE, mais da metade dos jovens só começam a pensar nisso quando já passaram dos 30 anos. Até lá vão se capitalizando.  

“Morei na casa dos meus pais até os 27 anos de idade e com certeza isso contribuiu muito para que hoje pudesse investir no meu próprio negócio e construir a minha casa”, ressalta Suzana Zanettin.

A jovem conta que passou por muitas dificuldades durante a faculdade. “Cursava Administração, mas meu salário quase não dava para pagar as mensalidades, porém insisti e consegui uma bolsa do ProUni, depois disso ainda fiz uma pós-graduação em Gestão Financeira e Controladoria. Meu esforço foi recompensado quando fui promovida de balconista a gerente”, relata. Hoje, Suzana e o marido (formado em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas – TADS), são donos da panificadora e confeitaria na qual ela trabalhou por quase uma década. A faculdade contribuiu para que ela realizasse seus dois principais sonhos: ser dona do próprio negócio e possuir uma casa. Ela acredita que o medo e os riscos de tentar algo novo são normais, mas a vontade de vencer e de encarar novos desafios é a principal receita de sucesso de um empreendedor.


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