Professor viaja à Finlândia para conhecer a realidade dos refugiados da Síria

Entre os dias 21 de setembro de 2015 e 21 de outubro de 2015, o professor Alan Roscamp realizou uma pesquisa in loco nas cidades de: Kemijarvi, Helsinki, Toijala, Tampere e Rovaniemi, na Finlândia. Por meio de parcerias com a Punainen Risti – Cruz Vermelha Finlandesa, Helluntaiseurakunta Kemijarvi – Igreja Helluntai em Kemijarvi, Suomen evankelis-luterilainen Kirkko- Igreja Evangélica Luterana da Finlândia.

Após conflitos entre grupos islâmicos de forte interesse político e financeiro, muitos sírios deixaram seu país em busca de melhores condições de vida (mesmo que fosse uma utopia), para sua família. Isso trouxe uma série de consequências catastróficas em diversos países da Europa, onde os refugiados chegavam com seus pequenos barcos ou até mesmo botes em busca de algo que parecia impossível.

Para compreender qual a situação destes refugiados, Roscamp desenvolveu uma pesquisa baseada em relatos, a partir de entrevistas não diretivas com base nas dificuldades enfrentadas pelos sírios ao chegar à Finlândia. 

“Assim como eu me encontrei quando escolhi ser professor, eu me encontrei quando estava nesta pesquisa ao vivenciar uma cultura diferente, englobando europeus e refugiados recém-chegados. Em conversas informais, era nítida a tristeza no olhar de quem acabava de chegar a um país o qual muitas vezes não se tinha nem noção de uma língua diferente do árabe, mas também pude perceber que mesmo estando longe de sua casa, eles têm vontade de crescer, trabalhar e viver honestamente na Finlândia. Aprendi a valorizar mais os momentos que a vida me traz, sonhando sempre, mas vivendo o hoje, aproveitando mais a família, amigos e não somente reclamar. Que a diferença comece em cada um de nós.”

A chegada dos refugiados a cidade de Kemijarvi

Ao entrar na Finlândia, a aduana expedia o visto temporário para os refugiados. Estes esperavam os ônibus que os levavam para diversas cidades do País. Aqueles que chegavam pela capital Helsinki, de barcos, oriundos da Alemanha, esperavam alguns dias suas transferências para países da União Europeia.

 

Apoio do governo da Finlândia

O governo Finlandês dispõe de casas e apartamentos para estudantes e pessoas com baixo poder aquisitivo, os quais pagam um aluguel simbólico ao governo. Ao chegar, os refugiados são encaminhados para estes apartamentos, porém ao contrário dos habitantes finlandeses, eles não têm a necessidade do pagamento de aluguel. “Nós estamos dormindo em pequenos apartamentos do governo, em torno de dez homens, quando solteiros. As famílias estão ficando em apartamentos individuais. É um pouco apertado, mas é muito melhor que nosso antigo país”. Afirma o refugiado Bakir Alfhdawe.

 

A importância da Cruz Vermelha finlandesa na ajuda humanitária aos refugiados

A Cruz Vermelha Finlandesa é uma organização, pautada na Cruz Vermelha internacional, presente em todos os países. A organização vive de doações e ajuda por meio de voluntários locais e internacionais além de funcionários remunerados. Na cidade de Rovaniemi, a organização conta com uma loja de usados, onde recebe roupas e todo tipo de objetos de uso pessoal. Voluntários separam estas peças e as colocam para venda com valores muito abaixo do mercado, possibilitando que moradores locais com renda baixa ou que recebem ajuda do governo comprem produtos bons e baratos. O faturamento da loja é destinado à sua manutenção e também para que sejam adquiridos produtos usados que são doados aos mais necessitados.

A Cruz Vermelha finlandesa atende a todas as necessidades dos refugiados como: roupas, itens básicos de cama, mesa e banho, além de móveis e itens básicos de alimentação como talheres, pratos e copos, visto que estes vieram somente com a roupa do corpo, e, em alguns casos, algumas pequenas bolsas nas costas.

Foram realizados mutirões de voluntários de diversas organizações e igrejas locais para alimentar os refugiados no primeiro dia de sua chegada. Como haviam recebido pratos e talheres, as entregas eram realizadas em marmitas e servidas até o terceiro dia. Por meio de entrevista, o refugiado Bakir Alfhdawe afirmou que era grato a toda ajuda que a Cruz Vermelha e voluntários estavam dando. “Estávamos necessitados, com muito frio e fome, eu não me alimentava há cerca de um dia e meio”.

 

Situação Econômica dos novos Moradores de Kemijarvi

Após todo auxílio oferecido a eles, o Governo liberou uma ajuda financeira de cerca de 300,00 euros para cada refugiado, possibilitando que este pudesse iniciar suas compras de roupas, comida e mantimentos básicos. Existe uma grande diferença da União Europeia para o Brasil no quesito de roupas, na Finlândia, por exemplo, há uma grande procura por roupas usadas, não importa a classe social, todos compram roupas usadas. Conforme o relato de uma empresária de loja de usados Zilda Lahtela:  “Aqui, se você é rico ou pobre, se você é finlandês ou emigrante, sempre fará compras e visitas a lojas de usados, caso não encontre, aí sim, o cliente vai até uma loja de produtos novos”. Esta facilidade em encontrar produtos usados acabou gerando uma economia para os novos moradores de Kemijarvi, visto que o auxílio que o governo fornecia não era muito para comprar roupas novas e alimentos.

No mês que a pesquisa estava sendo realizada houve dias em que a temperatura chegou a -1ºC, então os moradores da cidade, na qual os refugiados estavam hospedados, começaram a levar diretamente roupas de frio e as lojas de usados também forneceram roupas como doação e, em alguns casos, a preços mais baixos.


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